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Ecos de Ontem...

Porque há palavras que não sabem ser silêncio. Ressuscitam, porque ainda respiram...

Porque há palavras que não sabem ser silêncio. Ressuscitam, porque ainda respiram...

Ecos de Ontem...

04
Out25

Prelúdio de Cinzas...

ROMI

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Preparo-me para o luto,
acendo todas as velas
que formam o percurso até mim.
Não sei se há luto
para o inacabado.
Primeiro morrem os sonhos,
depois é o silêncio que fala,
eco que deseja ser voz.
Olho o espelho:
reflete a indiferença de mim.
Vigília ritmada
que se inventa.

Terei sempre o esquecimento,
um instante para sublinhar,
e a noite...
A noite é o meu lugar.
Eu não sei se é a morte
que pousa na minha sombra.
Pelas vezes que morri,
pelas vezes que me ergui,
ergue-se a lua,
empática,
e chora sob o meu nome.
Penitência de um ser anónimo:
a essência purificada pela dor.
Visto-me de cinzas.

19
Mar25

Cartas de amor...

ROMI

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O silêncio não é inocente, produz ecos que não consigo ler. 
Pessoas feitas como peças de lego que não encaixam. 
Encaixo-me no dia de hoje. 
Rejeito o café, mordo o pau de canela. 
Diariamente finjo que caí, mas estou em pé! 
Sanidade à beira do abismo, quero subir ao alto da montanha e soltar a noite. 
Quero um encontro de amigos que ficam pela noite dentro, em pijama, a conversar e a beber chá. 
Estou sozinha nessa pretensão. Paciência! 
Lamento profundamente quem sabe como deve ser e depois não é. 
Já não imagino uma mão a segurar a minha. 
Ideia marginal como uma estrada. 
O carteiro passa num aceno de quem já não entrega cartas de amor. 
Peço um café curto e escaldado, sem açucar. 
Fico parada, nesse intervalo, a ouvir-me respirar. 
O carteiro passa e volta a acenar, digo-lhe adeus também…

 

 

24
Fev25

E eu ...

ROMI

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E eu

Vestida de negro, como a noite,
Não por morte ou desgosto.
É uma pretensão analfabeta, 
Uma crença devocional
que me rasga e amarrota
 como se eu fosse papel.
 
E eu
 
Vestida de negro, como uma sombra,
Não por negligência ou engano
É  como uma paixão que se dança
Que amadurece e se expande 
Na berma de um presságio triste.
 
E eu
 
Vestida de negro, como o silêncio,
Não por escolha ou acaso.
É um eco que me habita,
Um murmúrio que se enrola,
Resiste e esmorece
Na perpendicular de uma prece.
 
Foto Praia Grande
 
 
 
 
 
 
17
Fev25

Pecados consentidos...

ROMI

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A noite tem a cor que eu gosto,
tem fantasmas do meu tamanho.
Tem medos que adormecem
e me deixam dormir também.

Na hora do excesso permitido,
bailam pecados em meu redor.
Eu escondi-me muito pouco...
Fugaz mendiga das horas paradas,
ampliadas num suspiro qualquer.

Existem palavras soletradas,
esculpidas em pedra dura,
que não se cruzam.
No silêncio, não há palavras cruzadas.

Eu sei, e tu sabes.
Perto ou longe,
nunca seremos nós...

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